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Prejuízos Econômicos da Reprovação Escolar

Escrito por master Ligado . Publicado em ARTIGOS

Nonato MenezesCaos

No interior da escola a Reprovação é vista essencialmente como uma questão pedagógica, seja por suas motivações ou por seus inexoráveis danos.

Como se sabe, entre nós, a Reprovação não é um problema relevante, daqueles que provoquem debates ou intervenções de quem quer que seja nos sistemas escolares brasileiros. Regra geral é considerada assunto menor, apenas mais um problema que faz parte da rotina burocrática da escola. E, infelizmente, ainda é usada como instrumento de poder nas relações políticas educacionais.

Fora da Escola a Reprovação, também, não inquieta corações. Participa, juntamente com tantos outros problemas, alguns até mais impactantes e de efeitos imediatos, da dinâmica social como se fossem produzidos pela divina natureza.

Mas com ou sem a importância dada pela escola e pela sociedade em geral, é fato que a Reprovação escolar produz enormes prejuízos econômicos a todos nós. Tratemos ou não, diretamente com ela, uma simples planilha nos mostra o quanto estamos envolvidos com um problema de tamanha monta. Ainda que não queiramos perceber sua importância.

Vista numa perspectiva histórica, a Reprovação nunca gerou benefício econômico direto, nem indiretamente. Ela tem sido escamoteada com um discurso que a trata como sendo uma questão apenas pedagógica. No entanto, ela tem sido mesmo é um estorvo para sociedade brasileira; um problema real que contribui significativamente para nosso atraso político e social.

Os números cantam como uma tragédia qualquer, mas não assustam como uma chuva torrencial que mata duas ou três pessoas, por exemplo.

Talvez a tragédia da Reprovação não assuste porque ela é sutil, é paciente no tempo e no acúmulo de prejuízos. Mas ela é tão voraz em produzir danos como são outras tragédias de grande porte, naturais ou não. A tragédia natural vem, mata e não demora em ser esquecida e ou até servir de motivo para se rearranjar jeito de proteger potenciais vítimas no futuro. E tem um custo, normalmente elevadíssimo, mas não acumulativo, digamos assim.

No caso da Reprovação escolar o custo, além de ser acumulativo, é de grande monta e seus efeitos se enveredam pelas artérias sociais, deixando sequelas e acumulando danos.

Um exemplo, enquanto prejuízo econômico da reprovação.

Distrito Federal, 2014. Das 291.208 matrículas feitas no Ensino Fundamental, 12,8% delas, ou 37.274 estudantes, aproximadamente, foram reprovados naquele ano.

Tomemos, por exemplo, a média nacional do custo aluno/ano, em 2013, oferecido pelo INEP, que foi de R$ 2.222,00 ao ano, para o Ensino Básico.

Sem desconsiderar algumas variáveis como a diferença dos custos por Região e empregarmos aquele valor ao caso do Distrito Federal, alcançamos um prejuízo de aproximadamente oitenta e dois milhões de reais em 2014.

No cenário nacional o custo aproximado com a Reprovação no Ensino Fundamental em 2015, considerando o número de matrículas acima de vinte e três milhões e média de reprovação de 10%, ao custo aluno/ano de R$ 2.200,00, o prejuízo total foi acima de 5 bilhões de reais. Para não ficar difícil de lembrar: R$ 5.000.000.000,00 (cinco bilhões de reais) jogamos fora com a Reprovação escolar em 2015.

Oh! Mas isso é apenas uma questão contábil e não podemos ver a Educação como uma planilha de custo, é o que dizem muitos.

Certo. Façamos de conta que a Educação formal acontece sem dinheiro e passemos a considerar outros horizontes, entre eles o mundo hostil das prisões brasileiras.

Em 2012, uma pesquisa do “Instituto Avante Brasil, com dados do InfoPen, do Ministério da Justiça”, identificou 548.003 presos, sendo que 50,5% deles tinham o Ensino Fundamental Incompleto.

Este ponto é importante por vários motivos, entre eles de fazer parte do enredo escolar, cuja leitura possível de ser feita, entre outras, é esta: esses quase 300 mil detentos foram estudantes regulares em algum momento, foram reprovados, se desencantaram com a escola – ou vice-versa -, bandearam-se para o mundo do crime e hoje ocupam espaços onde fazem rodízio para cochilarem deitados, para se abrandarem com algumas horas de sol, num cenário bem parecido com os campos de concentração criados pelo Terceiro Reich.

Agora façamos outra leitura possível, mas ao contrário.

Hoje, certamente, são mais de 300 mil detentos que custam uma fábula ao Estado brasileiro, ou a nós mesmos, trancafiados em prisões imundas, esquecidos por uma sociedade injusta, que em momentos diversos passaram por escolas, por muitos motivos se desencantaram com elas, foram reprovados, custaram outra fábula para o Estado, ou para nós mesmos, foram e continuam sendo, invariavelmente de famílias pobres, moradoras de guetos, favelas e assemelhados, que se somam a outros milhares de prisioneiros da necessidade, frequentadores de escolas, cujas semelhanças àquelas apontam para os mesmos procedimentos que desencantam, reprovam e motivam suas vítimas a bandearem para o mundo do crime.

Ainda assim, animada por um misto de descaso por nós mesmos e certa cretinice sócio-política, nossa sociedade desconsidera o enorme prejuízo econômico da Reprovação e levianamente negligencia os danos individuais e coletivos perpetrados por este procedimento escolar.

E o que é mais assustador.

Diante de tudo isso que não é mentira, nem ficção, ainda tem parlamentar simplório, para dizer o mínimo, que se diz representante do povo, que ao invés de se preocupar com nossas iniquidades sociais, como as citadas acima, ocupa-se em defender “Escola sem Partido”, ou sem Política, ou sem noção mesmo, quando deveria, pelo menos, estudar um pouco para compreender e fazer valer minimamente seu papel político como Legislador.

Como é sempre bom acalentar esperança, ainda que seja em forma de rabisco, quero crer que, dada a gravidade da situação, em nossas casas legislativas alguém menos simplório seja capaz de desencadear este debate, mesmo que a sociedade o considere louco ou idiota.

 

Comentários   

 
0 #1 Marilia 23-07-2016 01:47
Que texto excelente! A questão maior da reprovação não reside apenas nos prejuízos econômicos.Deve mos ir mais a fundo nessa questão.Alguns dos prejuízos que podemos salientar é o desabrochar de uma baixa autoestima,de uma impotência frente aos desafios dos estudos e um sentimento de incapacidade em vencer os desafios.A reprovação não deve ser vista apenas como resultado de uma educação falida,mas e,principalment e, como um reflexo de uma sociedade que exclui pela falta de acesso a uma educação de qualidade e da falta de permanência até a conclusão dos estudos.Nessa berlinda não deve ser colocada apenas a escola,mas sim todos os agentes que a produz.
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